†SanctuarY†

Nos portões em névoa, minha sombra ecoa no mais sombrio da escuridão
Mas tenho uma mão estendida à mim, não me deixando
desfalecer sozinho
Suas mãos me puxando e seus braços e colo macios me protegendo
Guia-me princesa da noite. Leve-me sempre contigo e a eternidade será nosso jardim...
(Isaias Angelus)
 
Correi, rolai, correi - ondas sonoras
Que à luz primeira, dum futuro incerto,
Erguestes-vos assim - trêmulas, canoras,
Sobre o meu peito, um pélago deserto!
Correi... rolai - que, audaz, por entre a treva
Do desânimo atroz - enorme e densa
Minha alma um raio arroja e altiva eleva
Uma senda de luz que diz-se - Crença!
Ide pois - não importa que ilusória
Seja a esperança que em vós vejo fulgir...
Escalai o penhasco áspero da Glória...
Rolai, rolai às plagas do Porvir!
(Euclides da Cunha)
 
Por ti, logo me apaixonei!
Oh! doce flor gótica!
Tua beleza sombria e exótica,
É tudo com que já sonhei.
E tua singela e nívea tez,
E teu olhar misterioso
Que transborda languidez,
Formam um quadro maravilhoso.
Você é a dama dos meus sonhos!
Compartilhe meus anseios tristonhos
E Liberte-me dos dias enfadonhos.
Divida comigo esse amor funéreo
Faça parte de meu mundo etéreo
Aqui na paz deste cemitério.
Do desdém ao laço
Bela e adorada garota,
Sei que não tem pena de mim!
E que sabe que gota a gota
Definho rumo ao ermo fim.
E abatido com seu desdém,
Encontrei nos versos de Baudelaire
O significado de meu spleen!
Causado por ti fria mulher.
Tudo que penso, sinto ou faço,
Me revela a verdade, que me espanta!
Meu destino é a corda, o funesto laço,
Uma lâmina cravada na garganta,
Que cerceara a dor do baço
E a tristeza! Que em mim é tanta.
(Washington M. Costa)
 
Da minha boca morrerás...
E irás reviver para um novo mundo
Tu viverás nas trevas como eu
e como eu tu sofrerás com a eternidade
Mas eu te mostrarei que o castelo encantado existe
Que anjos e demônios são vítimas do mesmo amor
Que as rosas negras do meu jardim são alegres
E que no meu mundo podemos sonhar...
 
Em minha estrada de
Trevas e Sombras,
Acompanhado da solidão e da morte
Entre o punhal e a espada
Entre um louco amor e a loucura
Meu coração machucado!
Sentindo o doce gosto do sangue
Que escorre em minha boca,
Alimentando meu corpo,
E satisfazendo minhas vontades!
Enquanto isso, você aparece
Cruzando meu caminho
Me envolvendo em seus braços
E na sua vida!
Não fazendo idéia de que já roubou meu coração!
E não percebes sua crueldade
A qual me amedronta e me feres
Me deixando solitário
A qual pune meu coração e minha mente!
Com ansiedade aguardarei sua decisão final
Sobre de quem precisas e de quem amas!
Pois sei que me queres de alguma forma,
Amarei-te eternamente, minha doce Princesa
E se preciso, saberás que
Morrerei por ti, morrerei em ti!
 
Nunca vou te deixar
Mesmo que eles tentem me torturar
Mesmo que me façam tortura psicológica
E com facas tente me arranhar
Com os olhos cheios de raiva
E na sua mente má intenção
Com sua boca suja eles me ofendem
Não agüento mais tanta humilhação
Meu rosto agora sangra, pois por ti sofri agressão.
Mas que culpa eu tenho, ninguém manda no coração.
O que eu posso fazer por você nesse momento de dor
Será que eu posso te defender daquele teu agressor
Dê-me esse direito deixe-me ser seu tutor.
De seu grito de liberdade vamos a sociedade enfrentar
Sei que as coisas não vão ser faceis
As discriminações vamos ter que enfrentar
Mas por você enfrento o mundo e nunca vou te deixar.
 
Quando nasci, num mês de tantas flores,
Todas murcharam, triste, langorosas,
Tristes fanaram redolentes rosas,
Morreram todas, todas sem olores.
Mais tarde da existência nos verdores
Da infância nunca tive as venturosas
Alegrias que passam bonançosas,
Oh! Minha infância nunca teve flores!
Volvendo a quadra azul da mocidade,
Minh'alma levo aflita à Eternidade,
Quando a morte matar meus dissabores.
Cansado de choras pelas estradas,
Exausto de pisar mágoas pisadas,
Hoje eu carrego a cruz das minhas dores!
(Augusto dos Anjos)
 
Estou dormindo com você em frente ao espelho
Seus dedos rosados...
Ao colocar sua mão em seus lábios,
Você demonstra a sua fragilidade
Naquele dia trocamos promessas
Mas agora ambos não se lembram disso
Por que sou como o vento, como as nuvens
Por que não tenho asas para alcançar aquele céu?
Por que não sou como as estrelas, como a lua
Que tudo encobre,
Não tenho asas
Para mergulhar pela noite...
 
A coisa que mais penso é,
No que você dirá quando eu não agüentar mais,
E dizer todo meu amor por você,
O medo já tomou conta de mim,
Mas não fazendo me perde a esperança,
Sonho um dia caminhar novamente com você,
Para poder dizer tudo que penso de você,
Demonstrar todo meu amor que sinto dentro de mim,
Estou desesperado e amedrontado,
Não consigo mais dizer nem mais uma palavra,
Apenas penso em você,
Sofro,
Mas é um sofrimento sem dor,
Sinto prazer de sofrer por você,
Porque sei que você é a melhor pessoa que conheci
E não acharei pessoa melhor que você,
Bons dias aqueles que eu podia ouvir sua voz,
Que eu podia olhar nos teus olhos,
Mas não desistirei,
E sei que um dia conseguirei dizer,
"Eu te amo".
 
Olhos semicerrados,
Olhei para ti minha concubina
vermelha, ofegante sobre mim
Com olhos semicerrados
meu sangue, minha vida
despejo na tua ocre taça esplêndida.
Luxúria ou força?
Sou teu lado animal,
sou tua carne espiritual.
Sou o sacrificado imortal
da tua sede sem igual.
Todos os prazeres animais
são carícias a ti, que se enverga
em êxtase e extática suspira.
Mas quem se entrega sou eu!
(e quem expira sou eu...)
Na tua sagrada taça abominável
nem uma gota só deixas escapar
e eu morro de deleite e me deleito
na minha morte, no teu leito.
(Eduardo Pinheiro)
 
Talvez Ela me faça perdoar as ambições continuamente esmagadas,
que um fim azado repare os tempos de indigência,
que um dia de êxito nos adormeça
sobre a vergonha de nossa fatal inabilidade,
(Ó palmas! diamante! - Amor, força!
mais alto que todas as alegrias e glórias!
de qualquer modo, em toda parte,
Demônio, deus, - Juventude deste ser que sou eu!)
Que os acidentes da magia científica
e os movimentos de fraternidade social
sejam apreciados como a restituição progressiva da liberdade primeva?...
Mas a Vampira que nos faz gentis ordena que nos divirtamos
com o quanto nos deixa, ou então que sejamos ainda mais palermas.
Rolar nas feridas, no ar exausto e no mar;
nos suplícios, pelo silêncio das águas e do ar assassinos;
nas torturas que riem, em seu silêncio atrozmente encrespado.
(Rimbaud)
 
Tantas e tantas vezes multilado.
E ainda assim, multilado denovo.
Profundissimamente afogado,
no meu jeito raso de pensar.
Irremediavelmente em luto,
por ter se ocupado em criar.
E inda que nunca antes tentado...fracassar.
Da carne a essência,
coberto todo pela malevolência da cor negra
que tinge, meu manto meu vel.
Assento o trono que se ergueu do abismo,
para ser o meu banco de réu.
Reino eu, estéril. Sem descendência e sem par.
A mais antônima forma de amar.
Anterior até a gênese da semente,
abunda em mim terreno fértil e doente
a chance de todo o mal agrouro... brotar.
(Dave)
 
Vento do Leste;
uma lanterna
e um punhal
no coração.
A rua
possui um tremor
de corda tensa,
um tremor
de moscardo.
Em todos os lados
eu
vejo o punhal
no coração.
 
Quando eu te fujo e desvio cauto
da luz de fogo que te cerca, oh! bela,
Contigo dizes, suspirando amores:
"- Que gelo, que frieza aquela!"
Como te enganas! meu amor é chama
Que se alimenta no voraz segredo,
E se te fujo é que te adoro louco...
És bela - eu moço; tens amor - eu medo!...
Tenho medo de mim, de ti, de tudo,
Da luz, da sombra, do silêncio ou vozes,
Das folhas secas, do chorar das fontes,
Das horas longas a correr velozes.
O véu da noite me atormenta em dores,
A luz da aurora me intumesce o peito,
E ao vento fresco do cair das tardes
Eu me estremeço de cruéis receios.
(Casimiro de Abreu)
 
Que lua enorme é esta pairando no céu?
Veio, oh dama, para nos brindar
Enquanto no teu corpo eu estiver
Seus raios irão nos banhar
Para iluminar cada expressão de amor nossa
Nos proteger e guardar pois somos noturnos.
És minha bruxa encantadora
Guardando no peito à poção que me domina
Desejosa do meu sangue em sacrifício
És minha deusa pagã
Por isso trouxeste-me até este precipício
Teus dentes rondam o meu pescoço
Querendo dilacerá-lo
Meus lábios percorrem seus seios macios
Querendo o sabor do teu suor
Todos os seres da noite em silêncio nos apreciam
Tocas meu corpo onde perco às forças
Sussurra em meus ouvidos sortilégios e encantamentos
Retira de mim todo o pudor humano
Transforma-me em um lobo branco
Para entregar-se a mim sem arrependimentos
És minha bruxa encantadora
Guardando no peito a poção que me domina
Desejosa do meu sangue em sacrifício
És minha deusa pagã
Por isso trouxeste-me ate este precipício
Deitado no penhasco teu corpo moreno
Reluzente a luz da lua
Sinto bater forte o teu coração no silêncio da escuridão
Me embriago nas águas encantadas da tua gruta
Uivo, urro e despejo meu amor dentro do teu caldeirão
Desfaleces em meus braços vencida pela paixão
Sonho com as fadas e elfos
Com todos os filhos da natureza
Agora eles me chamam irmão
Mas acordo triste e desfalecido pois foste um sonho noturno.
 
Nem Lordes nem majestades
Me farão prisioneiros da tua existência
Não venderei minha liberdade
Nem trocarei minha alma pelo teu amor
Estarei sempre livre em minhas experiências
Ocultas desses ensinamentos
Nem reis nem rainhas
Terão jamais meus sonhos em suas mãos
Levarão minha cabeça a guilhotina
Cortarão minha língua
Mas não lhes direi meus sonhos
Deuses dos tempos saberão o que fazer
Nesta minha alquimia da existência
Que deixarei em formulas secretas
Em outras grafias jamais reveladas
Nesta vida em poças de sangue derramadas
Minha existência desaparece por completo
Mas minha alma permanece
No lugar onde sempre esteve
Agora mesmo vejo
Todos preocupados em viver
Nesta vida
Rica de energias , magias e terrores
Um dia saberão o que representei
E o ódio que espalhei neste solo
Que um dia pisei
(Lord Bizarre)
 
Andando
Esperando
Sozinho sem carinho
Tendo esperanças e odiando
Com coisas que não posso encarar
Você pensou que é legal andar direto para então, salvar minha vida
E fodê-la?
Bem, pensou?
Bem, pensou?
Eu vejo o inferno em seus olhos
Tomado por dentro de surpresa
Tocar você me faz sentir vivo
Tocar você me faz morrer por dentro
Andando
Esperando
Sozinho sem carinho
Tendo esperanças e odiando
Com coisas que não posso encarar
Você pensou que é legal andar direto para então, salvar minha vida
E fodê-la?
Bem, pensou?
Bem, pensou?
Eu vejo o inferno em seus olhos
Tomado por dentro de surpresa
Tocar você me faz sentir vivo
Tocar você me faz morrer por dentro
Eu dormi por tanto tempo sem você
Está me desfazendo até...
Como conseguir estes jogos longos
Com cartões em mãos fechadas
Eu matei milhões de almas penosas
Mas eu não posso te matar
Eu dormi por tanto tempo sem você
Eu vejo o inferno em seus olhos
Tomado por dentro de surpresa
Tocar você me faz sentir vivo
Tocar você me faz morrer por dentro
Eu vejo o inferno em seus olhos
Tomado por dentro de surpresa
Tocar você me faz sentir vivo
Tocar você me faz morrer por dentro
Eu vejo o inferno em seus olhos
Tomado por dentro de surpresa
Tocar você me faz sentir vivo
Tocar você me faz morrer por dentro
(Trilha, Rainha dos Condenados)
 
No meio do escuro da noite
deitado na minha cama...
solta-se um arrepio...
a minha volta não ouço nem um pio...
Penso em ti...
sonho contigo...
por entre fantasmas e desejos...
és tu o meu doce amargo castigo...
vejo os teus olhos na lua cheia...
o teu brilho... no escuro da noite...
transformo-me em lobo...
e subo para o alto do monte...
e nesse monte grito teu nome...
enquanto almas rodeiam meu corpo...
gozando da minha paixão sangrenta
enquanto isso... desejo teu corpo...
enquanto isso desejo teu sangue...
enquanto isso desejo teus lábios...
Sinto teus lábios na ilusão...
e as tuas mãos no imenso da escuridão...
me abraçando no calor da sangrenta paixão...
não me deixas esquecer-te...
assombras-me quando o tento fazer...
não sei se não queres que te esqueça...
ou sou eu que não te quero esquecer...
na escuridão da minha alma...
o teu sorriso está brilhando...
na confusão da minha cabeça...
tua voz esta iluminando...
e assim vou caindo...
caindo nos teus braços...
nos teus braços onde me perco...
onde me deito e adormeço...
cansado e saturado de tudo a minha volta!
 
Outra noite chega a minha melancolia
que, cega, atravessa a neblina
de mãos dadas com a solidão
que assobia uma triste canção
transformando em elegia toda a minha alegria...
Em meu castelo de sorrisos só há dúvidas
e estrelas que caem acesas
brindando minhas madrugadas com a insônia
aliada a sede de minha alma por loucuras
e a distância que separa a minha boca da tua...
Espero que você me encontre, espero...
noite e dia,
nem me importo que seja ao telefone,
mas ligue para eu dizer que gosto de você
e diga se você gostou ou não da poesia...
Em meu castelo de desejos só há medos
e estrelas que caem acesas
dentro de um copo cheio de uísque com gelo
que brindo à inexistência do paraíso
e ao acaso que me impede de reencontrar o teu sorriso...
Nada é belo em meu doce desespero
que, cego, atravessa o nevoeiro
de mãos dadas com a solidão
que à canção tira-me para uma dança
transformando em desamor toda minha esperança!
(Marcelo Silva Costa)
 
Não fui, na infância, como os outros
e nunca vi como os outros viam.
Minhas paixões não tirava de fonte igual à deles;
e era outra a origem da tristeza,
e era outro o canto que acordava
meu coração para a alegria.
Tudo o que amei, amei sozinho.
Assim, na minha infância, na alba
da tormentosa vida, ergueu-se no bem, no mal,
de cada abismo, o meu mistério.
Veio dos rios, das fontes,
de rubra escarpa da montanha,
do sol que me envolvia
em outonais clarões dourados;
e dos relâmpagos vermelhos
que o céu inteiro incendiavam;
e do trovão, da tempestade,
daquela nuvem que se alterava,
só, no amplo azul do céu puríssimo,
ante meus olhos, como um demônio.
(Edgar Allan Poe)
 
Sonho todos os dias contigo
Nas noites quando durmo estamos juntos
Se a morte é como um sono anseio por ela
Morro todas as manhãs ao me despedir de você
Vejo sua beleza e abro os meus olhos
Tateando o espaço, fito sua face
Faço do sorriso teu meu sorriso, sem graça
Pinga sobre o mármore da mesa no lago cristalino
Nas ondas dos seus cabelos o minuano frio
Fio a fio teço o que anseio
Da terra sob meus pés firmo a esperança
Sobreposta a expressão das mãos acaricio minha tristeza
Desejo estar presente a cada desejo seu
Tão seu e tão próximo que sinto seu abraço
Cada minuto grito seu nome em meu silêncio
Sempre te amei e nem sei seu nome
(Roberto Tavares)
 
A Lua anda por aí
Uma lâmina sobre minha cabeça
Me lembra do que fazer antes que eu esteja morto
Noite consome a luz
E tudo que eu temo
Me lembra do que fazer antes que eu esteja morto
O Sol reclina
Come minha mente
Me lembra do que deixar para trás
Luz come a Noite
E tudo que eu nunca disse
Me lembra do que fazer antes que eu esteja…
Ver você
Tocar você
Ver você
Tocar você
Épocas voam, me lembra
O que eu escondo, me lembra
Os céus desertos
Quebra os espiões
Me lembra do que eu nunca tentei
O oceano extenso salgado de vermelho
Me lembra do que fazer antes que eu esteja…
Ver você
Tocar você
Sentir você
Te contar
O Sol reclina – me lembra
Os céus desertos – me lembram
O oceano extenso salgado de vermelho
Me lembra do que fazer antes que eu esteja…
Eco:
Ver você
Tocar você
Sentir você
Te contar
(Trilha, Rainha dos Condenados)
 
Difícil...
Sou mais difícil do que a vida que vivi
Forte...
Sou mais forte que a dor que você me traz
Estou perdido...
Tão perdido
O mundo que você está
A vida que você vive
Eu vejo as mentiras
O lado negro dos sorrisos que você da
Sou um
Sou qualquer um que você gostaria que eu fosse
Eu fui
Quando quer que você gostaria de estar livre
Velho...
Sou mais velho que os anos que vivi
Frio...
Sou mais frio que o sorriso que você da
Minha vida tem sido os sonhos que você diz que eu vivo
Por quanto tempo você estará perdida, minha querida
Quando você irá ceder?
Lost (Tristania)
 
"Que a força do medo que tenho
não me impeça de ver o que anseio
que a morte de tudo em que acredito
não me tape os ouvidos e a boca
pois metade de mim é o que eu grito
a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe
seja linda ainda que tristeza
que a mulher que amo seja pra sempre amada
mesmo que distante
pois metade de mim é partida
a outra metade é saudade.
Quer as palavras que falo
não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor
apenas respeitadas como a única coisa
que resta a um homem inundado de sentimentos
pois metade de mim é o que ouço
a outra metade é o que calo.
Que a minha vontade de ir embora
se transforme na calma e paz que mereço
que a tensão que me corrói por dentro
seja um dia recompensada
porque metade de mim é o que penso
a outra metade um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste
e o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
que o espelho reflita meu rosto num doce sorriso
que me lembro ter dado na infância
pois metade de mim é a lembrança do que fui
a outra metade não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
pra me fazer aquietar o espírito
e que o seu silêncio me fale cada vez mais
pois metade de mim é abrigo
a outra metade é cansaço.
Que a arte me aponte uma resposta
mesmo que ela mesma não saiba
e que ninguém a tente complicar
pois é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
pois metade de mim é platéia
a outra metade é canção.
Que a minha loucura seja perdoada
pois metade de mim é amor
e a outra metade também"
(Oswaldo Montenegro)
 
Desperto aos sons... dolem
Furia, encanto, mistério
A piedade das almas
Frutos marcados... envolvem
Angústia sem fim, decadência
Estrelas da morte
No santuário dos anjos
No físico a verdadeira profecia
Enganas-te ó mísero ser
Seu corpo dilacerado
Lançado ao mar tenebroso
Enganas-te sem mesmo saber
Melodia escrita com sangue
Sinfonia vil, ah, teus labios
A tremer, eu sinto...
Chore, grite, é tarde para seguir
A dor não é nada
Enganas-te, essa dor não é nada
Lágrimas de sangue, ainda sinto...
Desenhos entalhados, alma marcada
É tarde, olhe a escuridão
Olhe suas mãos
É tarde, o preço é alto
O amor acabou, não há mais paixão
Desperto, vivo... em chamas
Dolem... santuário dos anjos
Gênese talhada em escuridão
Náufrague, a voz te chama
Enganas-te a ti mesmo
Pensando enganar
A melodia foi composta
Os acordes não estão a esmo
Santuário dos anjos
Desse julgamento não podes escapar
Os mesmo frutos, a mesma piedade
Só restará angustia, em dias e anos
Ouça a voz, ouça o chamado...
(Isaias Angelus)
 
Amar com os olhos, sem nada poder dizer,
Juro! É castigo!
Algo que não combina comigo,
Desse amor não quero sofrer!
O amor tem que ser pra valer.
Ardente feito chama,
Pressupondo contato, cama,
Tudo que nos dê prazer!
É preciso portanto aproximação,
Toque de corpos...bocas...mãos...
Abraços...carinhos...beijos...
Olhar apenas não satisfaz,
Sempre queremos um pouco mais
Para saciar nossas fomes, nossos desejos!
 
Por que, pálida inocência,
Os olhos teus em dormência
A medo lanças em mim?
No aperto de minha mão
Que sonho do coração
Tremeu-te os seios assim?
E tuas falas divinas
Em que amor lânguida afinas
Em que lânguido sonhar?
E dormindo sem receio
Por que geme no teu seio
Ansioso suspirar?
Inocência! quem dissera
De tua azul primavera
As tuas brisas de amor!
Oh! quem teus lábios sentira
E que trêmulo te abrira
Dos sonhos a tua flor!
Quem te dera a esperança
De tua alma de criança,
Que perfuma teu dormir!
Quem dos sonhos te acordasse,
Que num beijo te embalasse
Desmaiada no sentir!
Quem te amasse! E um momento
Respirando o teu alento
Recendesse os lábios seus!
Quem lera, divina e bela,
Teu romance de donzela.
 
O caminho da solidão, frutos do desespero mortal,
a morte em questão, questionamento do arcanjo matador,
a visão triunfante do semelhante esta longe, dura realidade,
realidade escondida por mitos e velhos magos, velhos vampiros,
venha comigo minha vampira, conheça meu mundo, minha vida,
quero lhe mostrar meu lar, meu refugio, o abrigo da luz
luz caida, guerreiro derrotado, derrota humilhante,
lhe mostrarei a verdadeira eternidade, morte a solidão,
minha bela vampira, meu belo amor, doce menina, estas bem?
Caminhe comigo, nunca me abandone, a solidão eterna é cruel,
deixe-me escolher o que eu quero, não faça escolha por mim,
continue comigo, mostra me o verdadeiro amor, amada minha,
não deixe que o final se concretise com uma faca,uma estaca
já fiz minha escolha, faça a sua, assim morreremos felizes,
morte, algo insignificante perante o calor vampirico,
vampira minha, amada minha, uma rosa para um morto.
 
Além do encontro de dois corpos,
Dos enamorados so beijos mornos.
Além das faces lânguidas dos amantes,
E seus olhares fulgurosos e penetrantes.
Não somente a chama que queima
E não se sente. É o calor e o combustível,
O coração que em pulsar teima
Inflamado por esse fogo invisível.
A lágrima dorida e quente
Que banha das pálpebras à tez,
Nascendo no espírito, na mente,
E nos olhos brotando por vez.
Do espírito, o bálsamo é o amor
Que envolve uma alma a outra alma,
Numa fusão de prazer e dor
Que vai ao ápice deixando a falda
É a bela canção da natura
Que o criador no gênese ensinou.
No coração da primeva criatura
Com as próprias mãos plantou.
 
Eu desejo seu coração
Eu desejo sua alma
Eu desejo tudo que você tem de valor
Eu desejo os vínculos que unem você
Eu sei bastante, mas nunca é suficiente
Eu desejo a estrada livre
Seu pulso um teclado de perfume
Dinheiro não pode comprar
E eu posso dizer,
A câmera não mente
Há muitos vampiros lá fora
Vá lá fora e deixe ele agarrarem sua alma
Eles não vivem apenas em contos
Eles não vivem em cavernas
Eu desejo seu esqueleto
Eu desejo seu sangue
Eu fiz uma previsão
Há um medo na lingerie
Você sabe
Eu tremo quando te toco
Fecho meus olhos e suspiro
Então voe como gosta
Ao céu sem fim
Eu desejo você chorando
Eu desejo seu prazer
Eu sei bastante, mas nunca o suficiente
Deixado à senhora de cama
Eu sei
não há caminho solitário, mas com você
Molhada em sexo
Molhada com sua vontade
Incorpore seu corpo
Estou aqui
Venha deixe-me agarrar sua alma...
 
Perto de tua sepultura,
trazida pelo humilde sonho
que fez a minha desventura,
mal minhas mãos na terra ponho,
logo estranhamente as retiro.
Neste limiar de indiferença,
não posso abrir a tênue rosa
do mais espiritual suspiro.
Jazes com a estranha, a muda, a imensa
Amada eterna e tenebrosa
pelas tuas mãos escolhida
para teu convívio absoluto.
Por isso me retraio, certa
de que é pura felicidade
a terra densa que te aperta.
E por entre as pedras serenas
desliza o meu tímido luto,
com uma quieta lágrima, apenas,
- humano, doce atributo.
 
Existe uma hora para todos os vampiros quando a idéia
de eternidade torna-se momentaneamente intolerável.
Vivendo e se alimentando nas sombras, apenas com sua
própria companhia, se converte a uma existência
solitária e vazia. Imortalidade parece ser uma
boa idéia, até que você se dá conta que irá passá-la
sozinho. Então eu durmo, esperando os sons do
passar de eras se devaneiem e um tipo de morte
possa acontecer. Mas eu mando aqui, o mundo não soa
como o lugar que eu deixei, mas algo diferente...
Melhor...
Valia a pena me erguer novamente como novos deuses
que nasciam e eram venerados
noite e dia, eles nunca estiveram sós.
Eu quero me tornar um deles.
 
Olhos fixos. Vozes emudecidas. Corpos em rígida atenção.
Soldados preparados para seguir-me em combate.
Linhas de batalha são traçadas pelas minhas mãos.
Posições tomadas e formações definidas sob meu comando.
Um véu de disciplina é tudo o que nos separa
da histeria completa.
Cada um de nós sabe que a ordem em nossas fileiras,
em breve, dará lugar aos gritos desesperados
de bocas vertendo sangue. Espadas e machados
cortarão homens ao meio. Mas nesse momento,
enfrentamos um inimigo ainda mais insidioso e cruel.
O silêncio!
 
O sombrio olhar me observa, me penetra,
Algo me atrai ao oculto do mundo, as trevas,
Tudo se dirige ao nada, ao alem de mim,
Um quarto vazio me espera, me aguarda,
Que lugar frio, mofado, empoeirado,
É muito melancolico, mas ocasiona uma morbida alegria,
Odeio baratas, odeio ratos, mas são belos os lençois,
Calices, casticais, candelabros, jah foi um belo lugar,
Sobrou o pó, os ratos, fantasmas e vampiros,
Vampiros? Vampiras, belas e sedutoras,
Ou será morcegos , femeas e fedorentas?
Do que me emporta?; estou aqui agora, estava,
Mas a saida é bela e magnifica, uma linda e cheia lua,
Arvores, cavalos, cavaleiros, e donzelas em perigo,
O mundo em perigo, mas eu estou a salvo, protegido,
O mal do mundo não me assusta, e meu mal não assusta o mundo,
Que vantagens tenho? Nenhuma...
Apenas caminho por lugares escuros a procura de nada,
O alimento de cada dia, de cada noite, de cada vida,
Perpertuando a especie jah esquecida, esquecimento?
... A melhor arma ...
 
Finalizando o meu eterno ciclo
Vejo o que não posso mais ter
Não mais amo, não mais sinto
Vivo a morte em meu sofrer
A vida eu sugo
Buscando o prazer no elixir dessa mundana vida
O mal eu sou
Ao fugir da paz que almejo
Os traços eu confundo nessa escuridão
O que me cerca são apenas sombras, e morte
Os dias se passaram e eu nunca mereci o fim
O meu tempo se foi e todos os pensamentos se anularam
Amando, eu descobri que somente eu poderia me criar
E eternamente me recriar após um simples fim
Corpo leve que possuo
Peso que tenho que carregar
Minha alma está condenada
E o meu fim eu vivo a buscar
Fui o mais belo imortal
Sempre existi consciente em mim
Lágrimas de sangue dos meus olhos rolaram
Quando eu criei o meu fim...
Me recriei em mim buscando um novo fim
Que nunca tive, mesmo criando uma prole pra mim
Da morte surgiu a morte sem nunca se ter um fim!
 
Nos deixe ser desafiantes.
Vá e ria desses que desafiam o destino.
Matamos uns aos outros.
Nós combateremos uma luta fútil,
Uivaremos e derramaremos sangue.
Somente então a nossa gênesis desenrolará.
 
Da noite, meu refúgio, surgi
a melodia a me chamar
é como uma explosão de desejos
Não resisti,
faminto percorri a escuridão
por becos e vielas
seguindo o odor e o som
que tanto me excita e atrae
Se apenas a sensação dessa força me completa
então
quando possuí-la, explodirei
não para morrer
mas sim para renascer
Quem nos escolheu para ser um corpo só?
Quem fez nossos destinos se cruzarem?
Sei apenas
que no silêncio escuro de meu leito
ouço novamente a música
penetra meus aguçados sentidos
me chama mais uma vez para a vida
não a vida da qual és dependente
mas uma tecida a minha maneira
sem repetições e enfado
Nas sombras caminho faminto
mas você
não sabe da minha existência...
 
Na verdade eu nunca me senti muito bem
Eu não sei por que, tudo que sei é que algo está errado
Toda vez que te olho, você parece tão bem
Diga como você faz isso, me ensine
Estou seguindo cada uma de suas pegadas
Querida você mesma toma cuidado a cada passo
Já quer desistir?
Mas tudo que eu quero é te fazer brilhar
Brilhar para mim
Brilhar nesta vida que está se apagando
Brilhar
Brilhar para mim
Apenas me dê um sinal
Brilhar nesta vida que está se apagando
Você ensinou algo que não conhecia
Brilhar
Brilhar comigo nesta noite...
 
Uma alma que ronda tua vida
Tua morte
Teu corpo
Eu corro sobe o teu sangue
Derramo sobre ti
Todo meu poder
Existo em todos que
Não acreditam no inexistente
É, coisa louca
Ao mesmo tempo
Maravilhosa
Assusto-te por onde tu andas
Carrego-te até o inferno
Sabe quem sou?
O Medo..
Não adianta te esconder
Eu te acho
Nos piores momentos possiveis
Eis aqui uma pessoa que pode te salvar de mim
Tua sabedoria
Caso contrário
Terás que se entregar a mim...
 
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